A descriminalização do aborto e a união entre pessoas do mesmo sexo foram os pontos do terceiro Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH3) contra os quais sessenta e sete bispos da Igreja Católica fizeram um abaixo-assinado. O documento foi divulgado, até então sem reações, pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
ALC
Brasília, sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
O PNDH3 foi divulgado em dezembro pelo governo federal e desde o início causou polêmica e discussões entre os setores mais conservadores da sociedade brasileira, como latifundiários, bispos católicos e militares. As razões envolvem interesses financeiros em confronto com o papel social da terra, uma perspectiva pré-moderna da fé e a associação dos militares com poder político...
A entidade também se manifestou contra a exibição de símbolos religiosos nas repartições públicas, apesar do Estado brasileiro ser laico desde o fim do Padroado. A insistência nesse confronto na época do Segundo Reinado obrigou D. Pedro II a mandar prender dois bispos. E a genérica "posição em defesa da vida e da família", sem qualquer disposição de dialogar com o universo feminino.
Apesar da insistência tenaz nestas lutas não terem conseguido avanços nas últimas décadas, deixando desgastes como a ainda grande concentração agrária e crise ecológica dela decorrente, a interferência religiosa em assuntos de Estado e os 15 anos de ditadura militar, os fantasmas desses períodos voltam a reaparecer, cada vez mais assustados.
O Secretário Nacional de Direitos Humanos, Paulo Vanucchi, se encontrou com o secretário-geral da CNBB, d. Dimas Lara Barbosa, reafirmando que vai retirar a expressão do poder das mulheres sobre seus corpos, temida na Igreja desde a Idade Média, sem dar garantias sobre as demais questões. "Por determinação do presidente Lula, esse ponto será revisto. Sobre mudanças, serão necessárias consultas com os movimentos. Não pode parecer uma posição unilateral", assegurou.
Fonte: www.alcnoticias.org
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